Quinta-feira, Julho 24, 2008

Do meu oceano de lágrimas



Como é grande esse sentimento que me assola o peito!
Como ama esse coração desafinado!
Como ardo de amor!
E, na tua ausência, sofro de saudade.

Não sou mais apaixonado somente
por culpa das lágrimas que me transbordam
o corpo quando da tua ausência sou
acompanhante.

E faço do meu pranto um oceano,
para navegá-lo às lembranças de ti.

Até o dia da tua volta.
Quando faço do meu aceano,
amor.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Soneto do muro invisível



Esta poesia invisível
O é para que você não a veja,
Pois, sem lê-la,
Irás senti-la.

Esta poesia invisível
o é para teu brilho transpassá-la.
Enquanto te admiro
E boquiaberto te vejo caminhar.

Esta poesia tão visível
É o sentimento imutável
Que afaga em meu peito uma dor.

Esta poesia em tua vista,
Este muro de maravilhas,
É um algo invisível, chamado amor.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.





Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:35 PM.



Quinta-feira, Julho 10, 2008

A arte de andar de ônibus



Não tem quem me tire isto da cabeça: andar de ônibus é uma arte. Isso é um fato! Tudo acontece quase que igualmente para todos:

Primeiro você acorda – óbvio – depois enrola na cama um bocado o suficiente para perder o ônibus mais vago, se levanta, toma café, e segue toda aquela baboseira cotidiana a qual, curiosamente, na voz de um poeta, seria chamada de ritual matutino. É claro que esse poeta não tem a menor noção do quanto se fica mal humorado só de se lembrar que há um transporte, da pior forma possível (público) esperando por você (na verdade é você quem espera por ele) daqui a pouco. Enfim, depois do banho apressado, você sai.

Das duas uma: se é chuva ou o tempo está fechado, a coisa só vai piorar quando você chegar ao ponto do ônibus; se é sol, o calor vem lascando, não há óculos escuros, nem filtro solar e nem boné que dê jeito. É duro, mas você até que gosta da brisa gelada da chuva ou do sol encostando-se à pele durante a manhã. Você gosta, até o momento em que está esperando há dez minutos o seu ônibus. É uma injustiça! Já se foram umas dez levas de passageiros de outros ônibus, e nada do seu chegar. Já cantou três músicas, citou quatro poesias, puxou assunto com desconhecido, e nada. Promete que vai acordar mais cedo amanhã, no entanto, bem no fundo da sua consciência, você sabe que a única coisa que vai acontecer, é que o ônibus vai passar antes de você alcançar o ponto e, com isso, o tempo de espera vai apenas aumentar. Então o silêncio se faz o seu melhor amigo e, no horizonte, vem o tão esperado cavaleiro do apocalipse: o GOLF (Grande Ônibus Lotado e Fedorento).

Milagrosamente você consegue entrar. Num lugar nada confortável, bem atrás da busanfa daquela gorda, horrorosa, velha e antipática. Tão logo, você usa a arte da paciência e espera a natureza já conhecida dos ônibus matutinos levarem você à frente, conforme Newton explicou. Abram-se parênteses para esse gênio da Física, que não previu a criação dos transportes públicos quando disse, com absoluta clarividência, que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço; a verdade é que podem, e inclusive cheiram as mesmas flatulências dentro daquele recinto.

Não tão obstante quanto sempre, você chega à metade do caminho do seu percurso diário, fatídico e quase demoníaco. Você olha o corredor, respira fundo e começa aquela série de “com licenças”, “desculpas” e “obrigados”, levantando seus pés cuidadosamente e tentando achar, inutilmente, um lugar mais a frente para prosseguir na intenção de caminhar. Empurra; puxa; encoxa; desencoxa; é encoxado; sente a catinga; e alcança a porta do outro lado do inferno. Já completamente suado, você percebe ao descer: é seu dia de sorte! conseguiu desembarcar no ponto correto.

Claro que, como sempre, você está todo suado, exausto e estressado. Porém, o pior da manhã já passou, outra dessas somente no final da tarde, durante o percurso de volta para casa. Você pára na banca, pede aquela água e lê na capa do jornal: ”a passagem de ônibus vai aumentar devido os reajustes nos impostos. O governo acha justo, pois o povo tem um excelente serviço de transporte público.”

Finalmente você pensa: “Merda de governo!... – alguns momentos; algo lateja – “minha unha encravada estourou!”

E ainda dizem que o povo reclama de barriga cheia! Depois do povo inventar mais uma arte...

É, andar de ônibus é uma arte!

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:41 PM.



Sábado, Julho 05, 2008

Ele escravo



Hoje ele acordou.
Hoje é dia de trabalho.
Hoje é dia de dinheiro.
Hoje é dia de labuta.

Pois, provavelmente,
haverá um amanhã.

Ontem ele acordou.
Ontem era dia de trabalho, afinal.
Ele precisava do dinheiro...
...pra hoje.

Ora! houve um hoje!

É o sentido das coisas:
Ele é. fato.
Mas quanto?
Mais vale ele ontem?
hoje?... amanhã?

Depende de quanto tem.


E ele veio me falar de sonhos,
projetos e anseios.
Não questionei a valia (importância) do papel,
papel-moeda,
apenas não sei. ainda.

Até quanto vale a pena?

E ele veio me falar de sonhos!?

Amanhã não é dia de trabalho.
Amanhã é dia de folga.
Dia sábado. Dia (do) gasto.

Amanhã ele não acordou.

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Giramundo



Gira mundo gira
Gira mudo gira
Gira gira gira
Gira e muda e gira
Gira imundo e grita
Gira e corre e vira

Essa flor que somos,
Que gira enquanto caminhamos.
Essa flor que somos,
Quase girassol, sempre giramundo.

Gira mundo gira
Gira e pede e grita
Gira a muda dia
Gira gira gira
Gira e corre e vira

Gira
Gira mudo
Gira mundo

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Peço desculpas aos blogueiros de quinta pelo atraso. Não me justificarei (embora haja sensata e justa explicação), pois não há muito a se dizer.

P.S.: Não gostei muito dessas poesias.

Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:42 AM.



Quinta-feira, Junho 26, 2008

Em tempos de consumo



O tempo é o que consome o homem.
O tempo, o que consome o homem.

O tempo que consome o homem.
O tempo consome o homem.

O tempo, o homem...

O tempo...

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A raiva que é usada para o bem



Eu que olho com ódio,
que olho sério, com raiva!
Eu que enxergo tanto,
que enxergo pranto...
Eu que vejo firme,
vejo exato, preciso!

Preciso usar minha raiva,
Minha alma. Coragem!

Ancoragem.

Precisamente, preciso:
Olhar nos olhos do Diabo,
Que me atormenta;
Matá-lo à unha,
Com o amor do ódio pulsante que sinto,
E amo.

Preciso.
Apenas isso.
E com isso fico em paz.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:11 PM.



Quinta-feira, Junho 19, 2008

Noite de um poeta



O cotidiano o sufocava dilacerantemente: a paixão pela vida sumiu; o cansaço assumiu; o andarilho não viu; foi de repentemente. Era a roda do mundo - "a vida é assim." - pensava, constante, a mente. Era o caminhar mudo, de quem deu-se no muro, esqueceu-se do urro, deixando de ser estrela cadente. Numa estrada, um vulto, um coração latente: de dia, o poeta anoitecia com sua alma doente.

Ganhou um grande amor, que se foi, e deixou uma quase-dor, daquelas que não se cura com aguardente. Era saudade, não era dor. Não era egoísmo, era amor. Amor quente; amor potente; amor-ti; amor-mim; amor-gente. Gente bem gente. Gente simplesmente gente.

Então o agente Divino cuidou do menino, mostrando sua amada sorrindo...

Mas quem diria?: um hino, criado em prosa nos versos do poeta-menino que tanto sofria. Ele abraçou a saudade e buscou a liberdade em meio àquela tarde quando seu peito tanto ardia. Ardia de dor. Dor que doía.

Anoiteceu, seu coração ascendeu, e ele voltou àquela boemia. Quanta força, quanto amor! aquele poeta sentia.

Não era mais noite, não era mais dia, não era mais a morte, nem era uma simples poesia: era, sim, a vida!

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



Atualizado por Pedro Gurgel, às 6:04 PM.





"Em cantos da vida
conto contos para me revelar,
para então
dar asas à imaginação
e voar longe da realidade cruel."


Quando o que Deus não previu acontece, quando Deus se surpreende com as decisões vindas do livre, a esse evento chamamos acaso.
Esta é a Casa dos Acasos, local onde acontece e desacontece, quase que poeticamente, o acaso. Histórias criadas por Deus, por homens e por ninguéns, serão contadas e/ou cantadas neste canto de contos e de sonhos. Sejam bem-vindas e bem-vindos.

Postado por: Pedro Gurgel Moraes, nascido em 1988, pseudocidadão de Fortaleza, quase poeta, estudante do Cefet e integrante do Grupo Literário APPLE.

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