Quinta-feira, Fevereiro 24, 2011

Diálogo sobre juventude



homem jovem
jovem homem

(?)

nem vem

(que)


(ciência)

não tem

ou é homem
ou é jovem


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Tempo



barganha forçada:
troca-se vitalidade por sabedoria.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.




Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:11 AM.



Quinta-feira, Dezembro 16, 2010

Cartas aos formandos



A um grande amor venho versos entoar,
Com o peito explodindo a me declarar.
É sobre uma jornada, uma longa decisão,
De quem não quer ter vivido em vão!

Prestem atenção, meus filhos sem luz:
Sou o fogo que te ilumina e até te conduz;
Um guia muitas vezes maltratado e confundido
Com sacerdotes em seus votos e sacrifícios.

Mas disso não me queixar,
Pois vossa felicidade me compensará.

Peço-vos perdão pelos erros que cometi!
Lembrem-se que, como vocês, sou um aprendiz.

Não vou cobrar que tenham tudo aprendido,
Pois em minhas aulas dei-vos um tesouro escondido:
Mostrei que, diferente do que se diz,
Amor não é sentimento, é a decisão de fazer o outro feliz.


Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 6:03 PM.



Sexta-feira, Novembro 19, 2010

O conto dos três amores



Parte 1



Amigos enamorados

E lá vinha ele! Apenas mais um sujeito transeunte da não necessariamente tão bem movimentada calçada à beira-mar. Caminhava com sua bermuda confortável, meio cinza, meio bege, com sua sandália despojada, de cores similares, e uma camiseta branca, regata, bem à moda Carlos, ou seja: com os braços rosadamente brancos bem à mostra e os antebraços cruzados sobre a alça dum carrinho de bebê que guiava pensativamente.

Vez por outra contemplava a criança e caducava um tanto, mas sempre caminhando calmamente, quase arrastando os pés. A barba rala, ainda por fazer, num rosto quase austero, não fosse pela tranqüilidade, dava um ar de masculinidade. Unindo esses adjetivos aos óculos um tanto intelectivos, temos uma boa imagem de quem é esse sujeito tão ímpar.

É bem verdade que as urbes modernas, com tantos atrativos, por vezes distancia: conecta virtualmente, aparta realmente. No entanto, quando se põe o nariz pelos ares externos da cidade, o acaso, ou o destino – dependendo da sua escolha – podem agir mais livremente. E um dos dois aproveitou bem essa deixa naquela noite.

– Olá Carlos! Há quanto tempo! Você ficou bem usando óculos...

Cabelos longos e escuros, branca, estatura média, dois centímetros menor do que ele. Grávida.

– Olá, minha querida! O tempo, de fato, caminha resoluto: muitos carnavais se passaram. – respondeu ele, usando sua clássica frase de
“como puxar conversa para ganhar tempo, pois preciso lembrar quem é este”, buscando obstinadamente em sua mente quem era aquela moça.

– Pelo visto você encontrou uma frase melhor do que um simples: “é...”, para sua memória fraca Carlos!
– ela era mais esperta do que a maioria. No entanto, essa interjeição o ajudou muito, pois, esperta e prática assim, só podia ser ela: a joia preciosa de sua adolescência; a única capaz de trazer saudades em vez de nostalgia quanto aos tempos da extrema juventude. Animou-se num grito de espanto e alegria, sem se importar com a denúncia de sua própria falta de memória:

– Perlas! Minha pérola de outrora! Você está... está...

– Grávida.

– Isso mesmo. Eu ia dizer prenha, mas tudo bem... –
um tapa de leve nos braços dele. Risos.

– E você, Carlos, pelo visto está muito além do grávido! Já pariu e tudo! Quem é a esposa? Quer dizer, suponho que esteja casado. Afinal, você nunca foi de andar se danando por aí...
– ele riu gostosamente.

– Essa coisa fofa aqui não é cria minha. Apenas um sobrinho afilhado, muito embora seja bonito como o tio, né? Cuticuticoisalindadepadim!
– respondeu Carlos, olhando para dentro do carrinho e fazendo aqueles gestos que todo tio-mãe-pai-vô-vó-coruja faz. Perlas riu. Carlos continuou:

– E você? Casou com o Jonas mesmo? Ouvi dizer que ele agora é médico e você consultora de imóveis.

– Ouviu muito certo!

– E como estão vocês? Tudo certo com a vida de casada?
– Perlas fez um olhar meio cabisbaixo, coisa de quem pensa se vai falar a verdade imediata, ou se vai falar a verdade oblíqua.

– É... tudo indo, tudo indo... Vida de casal. Você sabe como é!

– Se sei! E adoro muito essa vida, se você quer saber!


Carlos era um homem astuto. Sempre foi. Tratou logo de mudar de assunto convidando Perlas para sentar com ele, e foi ocupando-a com perguntas do passado.

Passou um bom pedaço de tempo trocando ideias sobre os acontecimentos das vidas dos amigos em comuns, das famílias, e todas essas conversas que antigos amigos que se reencontram tem.

Todavia, o fato é que certas coisas aparentemente ou jamais deveriam acontecer, ou jamais poderiam deixar de fazê-lo. Deu-se que o Acaso ou o Destino, esses dois irmãos gêmeos que parecem disputar quem mais comanda a vida das pessoas, lançaram um ponto chave. Durante o prosar dos antigos namorantes, Perlas se descuidou meneando sutilmente sua cabeça em meio a seus dóceis risos, mas essa sutileza não foi o suficiente para esconder uma evidência cruel, principalmente para Carlos que, perito da polícia, logo identificou. Inevitavelmente, ele ficou sério. Perlas percebeu.

– O que foi Carlos?

– Percebi a mancha vermelha e levemente inchada no seu pescoço. Você sabe da minha profissão, dificilmente erro algo desse tipo.

– Carlos...

– Perlas, não existe justificativa pra esse tipo de coisa!

– Olha, ele me prometeu que foi a última vez, disse que não beberia mais, chorou muito, implorou pra que eu não saísse de casa.

Carlos se revoltou.

– Eu escuto isso o tempo todo!
– balançou um pouco a cabeça negativamente, acentuou sua expressão de revolta e continuou, mas com a voz enraivecida e baixa – E nem mesmo sua gravidez, ou o próprio filho dele, ele respeitou!? Como é que você pode se sujeitar a algo assim? Logo você! Logo a mais bela pérola de todos os lugares! – e isso de fato ela era: muito bela. A gravidez não mudara em nada tal beleza.

– Olha... é complicado. Meus pais foram contra o casamento, e juraram que pra eles a filha deles tinha morrido. Mesmo querendo, não tenho onde morar e ainda não tenho renda o suficiente pra suportar tudo! Sem falar que eu conheço a peça, sei que ele me perseguiria por muitos anos e, se duvidar, tomaria a guarda da criança.

– Conheço seus pais. E sei que eles jamais te abandonariam numa hora dessas. Você é orgulhosa, isso eu também sei. E esse é o problema: a estupidez do seu orgulho! O medo desesperado plantado pela violência.

– Mas...

–Vai dizer que o Jonas te ama?! Vou te dizer uma coisa que aprendi com o professor Pedro, aquele de Matemática: o amor não é um sentimento. E você estava nessa aula! Você devia amar mais a si mesma e amar mais o filho que já está no teu ventre. Quem quer fazer o outro feliz jamais recai num erro infame como esses.
– Carlos respirou fundo e, levantando-se, em tom de despedida, completou – Vou atirar uma semente de esperança sobre tua vida. Está aqui o meu cartão. Você não precisa voltar para casa dos seus pais. Na hora que você precisar, não pense duas vezes: arrume suas malas e me ligue! Moro numa cidade não muito distante. É uma região praiana e tranquila, lá você e seu filho poderão ter uma melhor qualidade de vida. Eu e minha esposa vamos te ajudar a reconstruir tua vida, lá. Você pode morar na nossa casa até conseguirmos um bom emprego que, garanto, não vai faltar. Também te ajudaremos a encontrar um lugar perto de nós para ficar, depois de um tempo. Lá posso proteger vocês desse imundo! e nossa casa se alegraria muito com uma hóspede, especialmente uma grávida.

Entregou o cartão. Deu um beijo intenso no rosto de Perlas. Pegou delicadamente a nuca da moça, como quem acaricia os cabelos e olho em seus olhos. Disse até mais. Saiu. Pensou em todas as mulheres a quem não podia lançar sementes de esperança. Rezou por elas. Decidiu que, se pudesse, por todas as mulheres subjugadas e violentadas, faria da história de Perlas algo diferente. Afinal, que sentido teria a vida senão pudermos fazer algo de extraordinário por alguém?


Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Um texto longo, para uma história longa e, talvez, para alguns, surpreendente.

Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:10 AM.



Sexta-feira, Outubro 08, 2010

Acomodação



Da ação de pôr cômodos em lugares bem despojados,
Por vezes nasce o incômodo de se acomodar.

Existente na repetição dos dias sem a inovação dos atos,
A tristeza da comodidade (con)funde-se com alegre tranquilidade
Que meu espírito não deixa de buscar,

Tal qual artefatos de minha casa
tão logo postos (ou seriam acomodados?)
em seus designados lugares,
podem enfim respirar -

E para que não cansem de tal inspira e expira (ação!)
vez por outra o re-movemos
para, então, re-alocar -

Assim faço com o espírito e a vida,
De sorte que, de mim mesmo, poderei des-cansar.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:16 PM.



Quinta-feira, Setembro 09, 2010

ser



nem sempre foi
nem sempre será
nem nunca será
nem nunca foi
É...


sempre foi
sempre será
nunca será
nunca foi
É...


foi
será
será
foi
É...






É...


Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:13 PM.





"Em cantos da vida
conto contos para me revelar,
para então
dar asas à imaginação
e voar longe da realidade cruel."


Quando o que Deus não previu acontece, quando Deus se surpreende com as decisões vindas do livre, a esse evento chamamos acaso.
Esta é a Casa dos Acasos, local onde acontece e desacontece, quase que poeticamente, o acaso. Histórias criadas por Deus, por homens e por ninguéns, serão contadas e/ou cantadas neste canto de contos e de sonhos. Sejam bem-vindas e bem-vindos.

Postado por: Pedro Gurgel Moraes, nascido em 1988, pseudocidadão de Fortaleza, quase poeta, professor de Matemática e integrante do Grupo Eufonia de Literatura.

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