Sexta-feira, Junho 12, 2009

Diálogo da desperança



Utopia! és uma realidade sonhada:
Paupável e possível,
Embora o coração não tenha a coragem para alcançar-te.


Desespero! não fosses tão duro,
Não durarias
Tudo que duro.


Somos! essa dupla voz retombante
De tudo o que fazemos, o que pensamos;
Qual nada, aquilo que idealizamos,

Somos tanto
(tantos)
Que não somos.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Série: as curtinhas do Gurgel



detalhes



pessoas dizem que o diabo mora nos detalhes

ponto


isso é porque elas não identificaram a divina beleza deles

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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A criatividade se afastou de mim. E depois voltou!

Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:12 AM.



Sexta-feira, Maio 15, 2009

Alguém à porta



toc toc
bateram à porta.
toc toc
estou cansado e não vou atender.
toc toc
persistente é quem me pertuba à porta.
toc toc
não me importa quem venha a ser.

meu quarto escuro é mais belo.
minha angústia, mais amena.

toc toc toc
toc toc
toc

alguém aí?

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Série: as curtinhas do Gurgel



ontem



os problemas de hoje

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Achei algumas poesias antigas e resolvi postar uma aqui.
Quanto a série das "curtinhas" acho que quase todas já foram postadas aqui e estão apenas passando por um reposte.

Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:39 AM.



Sexta-feira, Maio 08, 2009

Trevo



Três flores com três pétalas,
Três reinos em três pedras.
Trevo de luz que vence a treva.

Trevo da sorte?

Trevos belos no inverno,
Trevos que não se entrevam!
Três cartas de três cores.

Trevo do amor?

O trevo: Acaso, Destino e Escolha. (Decisão?)
A treva é não ter poesia no coração!
Em três versos, eis quem sou:

Três eus. E todos te dou.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:12 AM.



Quinta-feira, Abril 02, 2009

Crônica


Desarrolhos de família



É interessante como certas coisas se desenrolam na vida. Por exemplo: muito me chama a atenção a falta de capacidade de desarrolhar uma garrafa de vinho, ou mesmo de champanhe, de alguns sujeitos. Não importa qual seja a ocasião: aniversário de gente importante, casamento, ano novo (reveillon é muito francês para o meu português), enfim, os compromissos que, culturalmente, pedem tais habilidades.

O primeiro problema geralmente encontrado é a inexperiência com destampamento de contendores de bebidas diferenciadas, pois, cotidianamente, não se precisa desarrolhar essas coisas (e nem sempre se tem dinheiro para gastar praticando); o segundo obstáculo é que os não iniciados na arte do desarrolhamento continuam a insistir em tentar destampá-los, o que resulta em muita perda de paciência com sensação de incapacidade (de fato!). E, no final das contas, das festas e das comemorações, alguns, de tanto insistirem, tornam-se aptos ao serviço; outros simplesmente desistem e só desfrutam do líquido; e a grande maioria continua persistir no amargo sabor do não-destampamento.

Isso me fez pensar.


Percebi que isso acontece em setores muito mais delicados e profundos da vida. A prova disso está em uma parte da minha história. Ou em três. A coisa toda é bem simples...



Parte I: o passado distante

Primeiramente, meus pais casaram muito novos e contra a vontade de família da minha mãe. Depois, inevitavelmente, meu pai conquistou toda família, tornando-se um membro amado e querido. Assim, após alguns anos, meu avô morreu e, logo em seguida, meus pais se separaram. Em tese, minha mãe estaria "só" e com três filhos "nas costas" para criar. Dessa forma, todos disseram:

- Pobres garotos, não vão dar pra nada na vida...

Não demos pra nada na vida. Conquistamos tudo o que podíamos.



Parte II: interlúdio.

Conversa vai, conversa vem. Sofre isso, sofre aquilo. O tempo passou, e lá estávamos nós: o irmão mais velho muito bem arranjado financeiramente e casado; os dois mais novos estudando e, como se diz, "bem resolvidos na vida", além de morarem com a mãe e a avó. Assim, todos disseram:

- Quem os sustenta é a avó.

Tivemos nosso alicerce. Éramos sustentados por muito mais do que apenas uma coluna.



Parte III: o passado presente.

Minha avó morreu.

Sim, isso é natural do processo da vida.

Porém, mais natural, é o sofrimento humano ante a perda doída e sofrida. Foi como se pegassem os esqueletos de cada um de nós, mergulhassem em álcool e depois estendessem para sentirmos os ossos congelando. Era o frio sem inverno. O congelar sem gelo ou flocos de neve. E doeu como me doem certas poesias de Drummond. Então, todos disseram:

- Agora eles se acabam. A família deles desmorona. Eles eram sustentados pela mãe dela.

Não. Mamãe manteve-se em pé. Firme, dura, com o coração pulsante e inflamando, pois ela amava minha avó. Foi ela, ovelha branca em meio a negras, quem sustentou seus irmãos. Ela quem os sustenta. Ela é quem me sustenta.



Fim das partes.

Se eu pudesse dar um conselho, o que aconselharia? Amem e deixem que as coisas se destampem!

Muitos aprenderam e entenderam. Outros se ocultaram após o acontecido. No entanto, ainda existem uns poucos, bem poucos, que se atrevem a tentar desarrolhar a nossa família. Todavia, só quem tem o jeito, a manha e os calos para destampar esse lacre e embevecer-se no líquido maravilhoso guardado na garrafa dessa família, é a mulher que cultivou essa bebida e os que, juntos dela, amaram, riram e sofreram.



Dizem que não se dá murro em ponta de faca:

A maioria perde a mão nessa empreitada;
alguns se ferem muito, mas entortam a faca;
outros menos, recuperam sua mão e destroem-na
(a faca);

mas quase ninguém
- ou ninguém -
a abaixa e a utiliza para cortar um bom pedaço
de pudim de ameixa bem cultivada.


Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Sim, o texto é pessoal. Sim, o texto é um desabafo. Ponto.

Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:59 PM.



Quinta-feira, Março 19, 2009

À distância do meu braço



Das coisas que já falei e ainda me falta falar, uma delas é o abraço. Não importa o quanto se tema, o quanto se negue, o quanto se evite o envolver dos braços, ele é – e sempre vai ser – uma das principais razões explicativas para a existência desses membros.

Basta esticarmos os braços um pouco a frente e veremos o pequeno vazio que fica. É um espaço pequeno, aparentemente. Porém nele cabe – e está – uma infinidade de informações, incontáveis coisas físicas e abstratas. Só há uma coisa que pode dar a sensação de preenchimento desse “vácuo”, outros braços encaixando-se perfeitamente como se fossem uma chave, fechando um a-braço.

Não há algo mais gostoso, mais aliviante, do que um abraço sincero, calmo, envolvente, preenche-dor (com amor) do vazio externo e que acalma e torna terno o nosso interno, do que o abraço.

Poder-se-ia dizer do Universo que, em seu único verso, seus braços são o Destino e o Acaso. E que, com ambos abarca – ou melhor – abraça a tudo e a todos, pois alcança a si dobrando-se sobre si, como num milagre belo, quase solitário de não ter a quem abraçar, exceto Deus.

A todos, à distância do meu braço, estendo meu abraço.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:47 PM.





"Em cantos da vida
conto contos para me revelar,
para então
dar asas à imaginação
e voar longe da realidade cruel."


Quando o que Deus não previu acontece, quando Deus se surpreende com as decisões vindas do livre, a esse evento chamamos acaso.
Esta é a Casa dos Acasos, local onde acontece e desacontece, quase que poeticamente, o acaso. Histórias criadas por Deus, por homens e por ninguéns, serão contadas e/ou cantadas neste canto de contos e de sonhos. Sejam bem-vindas e bem-vindos.

Postado por: Pedro Gurgel Moraes, nascido em 1988, pseudocidadão de Fortaleza, quase poeta, estudante do Cefet e integrante do Grupo Literário APPLE.

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