Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Diálogo da desperança
Utopia! és uma realidade sonhada:
Paupável e possível,
Embora o coração não tenha a coragem para alcançar-te.
Desespero! não fosses tão duro,
Não durarias
Tudo que duro.
Somos! essa dupla voz retombante
De tudo o que fazemos, o que pensamos;
Qual nada, aquilo que idealizamos,
Somos tanto
(tantos)
Que não somos.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série: as curtinhas do Gurgel
detalhes
pessoas dizem que o diabo mora nos detalhes
ponto
isso é porque elas não identificaram a divina beleza deles
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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A criatividade se afastou de mim. E depois voltou!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:12 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Alguém à porta
toc toc
bateram à porta.
toc toc
estou cansado e não vou atender.
toc toc
persistente é quem me pertuba à porta.
toc toc
não me importa quem venha a ser.
meu quarto escuro é mais belo.
minha angústia, mais amena.
toc toc toc
toc toc
toc
alguém aí?
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série: as curtinhas do Gurgel
ontem
os problemas de hoje
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Achei algumas poesias antigas e resolvi postar uma aqui.
Quanto a série das "curtinhas" acho que quase todas já foram postadas aqui e estão apenas passando por um reposte.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:39 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Trevo
Três flores com três pétalas,
Três reinos em três pedras.
Trevo de luz que vence a treva.
Trevo da sorte?
Trevos belos no inverno,
Trevos que não se entrevam!
Três cartas de três cores.
Trevo do amor?
O trevo: Acaso, Destino e Escolha. (Decisão?)
A treva é não ter poesia no coração!
Em três versos, eis quem sou:
Três eus. E todos te dou.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:12 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Crônica
Desarrolhos de família
É interessante como certas coisas se desenrolam na vida. Por exemplo: muito me chama a atenção a falta de capacidade de desarrolhar uma garrafa de vinho, ou mesmo de champanhe, de alguns sujeitos. Não importa qual seja a ocasião: aniversário de gente importante, casamento, ano novo (reveillon é muito francês para o meu português), enfim, os compromissos que, culturalmente, pedem tais habilidades.
O primeiro problema geralmente encontrado é a inexperiência com destampamento de contendores de bebidas diferenciadas, pois, cotidianamente, não se precisa desarrolhar essas coisas (e nem sempre se tem dinheiro para gastar praticando); o segundo obstáculo é que os não iniciados na arte do desarrolhamento continuam a insistir em tentar destampá-los, o que resulta em muita perda de paciência com sensação de incapacidade (de fato!). E, no final das contas, das festas e das comemorações, alguns, de tanto insistirem, tornam-se aptos ao serviço; outros simplesmente desistem e só desfrutam do líquido; e a grande maioria continua persistir no amargo sabor do não-destampamento.
Isso me fez pensar.
Percebi que isso acontece em setores muito mais delicados e profundos da vida. A prova disso está em uma parte da minha história. Ou em três. A coisa toda é bem simples...
Parte I: o passado distante
Primeiramente, meus pais casaram muito novos e contra a vontade de família da minha mãe. Depois, inevitavelmente, meu pai conquistou toda família, tornando-se um membro amado e querido. Assim, após alguns anos, meu avô morreu e, logo em seguida, meus pais se separaram. Em tese, minha mãe estaria "só" e com três filhos "nas costas" para criar. Dessa forma, todos disseram:
- Pobres garotos, não vão dar pra nada na vida...
Não demos pra nada na vida. Conquistamos tudo o que podíamos.
Parte II: interlúdio.
Conversa vai, conversa vem. Sofre isso, sofre aquilo. O tempo passou, e lá estávamos nós: o irmão mais velho muito bem arranjado financeiramente e casado; os dois mais novos estudando e, como se diz, "bem resolvidos na vida", além de morarem com a mãe e a avó. Assim, todos disseram:
- Quem os sustenta é a avó.
Tivemos nosso alicerce. Éramos sustentados por muito mais do que apenas uma coluna.
Parte III: o passado presente.
Minha avó morreu.
Sim, isso é natural do processo da vida.
Porém, mais natural, é o sofrimento humano ante a perda doída e sofrida. Foi como se pegassem os esqueletos de cada um de nós, mergulhassem em álcool e depois estendessem para sentirmos os ossos congelando. Era o frio sem inverno. O congelar sem gelo ou flocos de neve. E doeu como me doem certas poesias de Drummond. Então, todos disseram:
- Agora eles se acabam. A família deles desmorona. Eles eram sustentados pela mãe dela.
Não. Mamãe manteve-se em pé. Firme, dura, com o coração pulsante e inflamando, pois ela amava minha avó. Foi ela, ovelha branca em meio a negras, quem sustentou seus irmãos. Ela quem os sustenta. Ela é quem me sustenta.
Fim das partes.
Se eu pudesse dar um conselho, o que aconselharia? Amem e deixem que as coisas se destampem!
Muitos aprenderam e entenderam. Outros se ocultaram após o acontecido. No entanto, ainda existem uns poucos, bem poucos, que se atrevem a tentar desarrolhar a nossa família. Todavia, só quem tem o jeito, a manha e os calos para destampar esse lacre e embevecer-se no líquido maravilhoso guardado na garrafa dessa família, é a mulher que cultivou essa bebida e os que, juntos dela, amaram, riram e sofreram.
Dizem que não se dá murro em ponta de faca:
A maioria perde a mão nessa empreitada;
alguns se ferem muito, mas entortam a faca;
outros menos, recuperam sua mão e destroem-na
(a faca);
mas quase ninguém
- ou ninguém -
a abaixa e a utiliza para cortar um bom pedaço
de pudim de ameixa bem cultivada.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Sim, o texto é pessoal. Sim, o texto é um desabafo. Ponto.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:59 PM.
Pedro Gurgel Moraes
À distância do meu braço
Das coisas que já falei e ainda me falta falar, uma delas é o abraço. Não importa o quanto se tema, o quanto se negue, o quanto se evite o envolver dos braços, ele é – e sempre vai ser – uma das principais razões explicativas para a existência desses membros.
Basta esticarmos os braços um pouco a frente e veremos o pequeno vazio que fica. É um espaço pequeno, aparentemente. Porém nele cabe – e está – uma infinidade de informações, incontáveis coisas físicas e abstratas. Só há uma coisa que pode dar a sensação de preenchimento desse “vácuo”, outros braços encaixando-se perfeitamente como se fossem uma chave, fechando um a-braço.
Não há algo mais gostoso, mais aliviante, do que um abraço sincero, calmo, envolvente, preenche-dor (com amor) do vazio externo e que acalma e torna terno o nosso interno, do que o abraço.
Poder-se-ia dizer do Universo que, em seu único verso, seus braços são o Destino e o Acaso. E que, com ambos abarca – ou melhor – abraça a tudo e a todos, pois alcança a si dobrando-se sobre si, como num milagre belo, quase solitário de não ter a quem abraçar, exceto Deus.
A todos, à distância do meu braço, estendo meu abraço.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:47 PM.
